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HISTÓRIA

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            Santa Leocádia de Tämel é a única freguesia que pode apresentar os documentos escritos mais antigos a legitimar o determinativo – TAMEL – do seu nome. Aparece desde o princípio, como “De Sancta Leocádia de Tamial” (Vê-se no Censual de D. Pedro (1070 -1093), primeiro Bispo de Braga.

            Todas as outras freguesias desta zona do Vale do Tamel, nos documentos  coevos, só começaram a usar ou ainda conservam aquele qualificativo mais de um século depois. São Fins denominava-se De Sancto Felice, Couto (De Sancto Jacobi de Asinas), Vila Boa (De Sancto Johanne de Villa Bona), e S. Veríssimo (De Sancto Vereiximo). Pricipiaram  a usar o designativo – Tamel – a partir de 1220, conforme se lê nos registos das alçadas, das sucessivas INQUIRIÇÕES., dessa época.

            Então o nome Tamel passou a ser mais genérico como topónimo.

            Pinho Leal no seu conhecido “Portugal Antigo e Moderno”, de 1880, pág. 482, recua a história do nome até ao ano 1028 (990 da Era Cristã), o que prova, escreveu, com uma escritura desse ano (Bened, Lusitana, parte 4ª, Cap. 1º).

 

            Como antropónimo ou nome pessoal é muitíssimo mais antigo se o ligarmos a S. Tamel, que foi martirizado no Século II, no império de Adriano, imperador romano (1117-1138).

            Consta do Martirológio Romano, do Cardeal Barónio, do ano de 1586, compilado do Martirológio Jeronimiano, do calendário romano de 354 e outros ( africano e de Antioquia).

 

            Situada entre Carapeços e Abade de Neiva, esta freguesia permaneceu isolada e escondida através dos séculos, até aos nossos dias, entre o Monte da Silva (em Abade de Neiva) e o Alto da Corujeira (da serra de Tamel), pelo norte. Do vale ao alto da serra confronta com Carapeços e Quintiães pelo o nascente, com Fragoso e Feitos, pelo norte, a poente com Vilar do Monte, Abade de Neiva e Silva, pelo sul.

Somente no dia 31-05-1981, o primeiro autocarro de passageiros, chegou ao Sobrado, no centro geográfico da terra, vindo do lugar da Varziela, pela nova estrada, acabada de rasgar. Antes, a partir de 1957, apenas os carros ligeiros, idos de Carapeços, alcançavam o mesmo lugar por difíceis calçadas e caminhos alargados. Depois com o prolongamento da estrada até Carapeços, no fim de 1982, ficou inteiramente aberta ao mundo exterior e começou uma nova era para Santa Leocádia.

 

            De cada lado do Monte de Corujeira brotam as fontes do Padre João (a ocidente) e de São Tomé (oriente), que são as nascentes do Rio Velho, dito a Ribeira do Inferno e do Rio de São Tomé ou da Seara, onde chegam as mais elevadas ramificações de Rio Tamel. (Lembramos que o Rio Tamel é mal conhecido com esta designação. Toma  e é geralmente conhecido pelos nomes dos lugares por onde passam os seus muitos afluentes. Mas está implicitamente escrito e registado com este nome em “Diplomata et Chartae”, do “Portugalia Monumenta Histórica”, de A. Herculano, segundo José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico e etimológico.

 

 O culto apotropaico, que os povos primitivos prestavam aos deuses para esconjurar malefícios, sacralizou os lugares onde era exercido. E neles foram implantados monumentos religiosos e outros sinais evocativos das suas divindades. Mais tarde esses lugares foram cristianizados com monumentos cristãos.

            Estavam localizados em lugares visíveis, junto das fontes, nas pontes, nas encruzilhadas e outros lugares de passagem. Ignoramos se a Capela de S. Tomé, da qual restam o pé do altar e vestígios dos alicerces, num sítio ermo e tão elevado, sobre a nascente do Rio da Seara ou de S. Tomé , como é mais conhecido, não terá vindo substituir e ocultar algum desses cultos anteriores.

            Os quatro megalitos que se encontram alinhados ao lado das ruínas da capela que estarão lá a fazer? Sejam menhires ou não, qual outra razão poderá explicar os motivos de lá terem ido parar? São questões que a paróquia e a autarquia puseram aos peritos e esperam ver proximamente estudadas.

 

            Os apontamentos acima são inéditos ou mal conhecidos por serem fundamentados em estudos e investigações valiosas e recentes, publicadas em 1948 e 1997, ainda pouco mal divulgadas.

 

            Santa Leocádia tem uma história rica. Situada no extremo poente do Vale do Tamel, era terra não reguenga e tinha 5 casais pertencentes à Ordem dos Templários a 2 à Ordem do Hospital. Foi vigararia da apresentação do Novo Mosteiro de São Bento de Viana da Foz do Lima, a que estava anexa. E, por isso, dado ser padroado desse Convento, os marcos divisórios da freguesia ainda conservam os siglas SB (São Bento), como consta do tombo da freguesia de 20-09-1549 (Arquivo Distrital de Braga – Caixa 251),

            Muito antiga como é, cresceu á volta da sua igreja românica, que vem do tempo da Reconquista aos mouros. Desse tempo ainda conserva a Capela-mor onde, nas obras de restauro de 1983, apareceram a mesa e o pé do altar primitivos. O pé de altar tem um facetado visigótico e parece ter sido preparado a partir de um silhar proveniente de uma mais que provável construção romana, segundo parecer do catedrático e arqueólogo, Doutor C.A.Brochado de Almeida.

            A igreja românica com os restantes documentos  líticos reunidos num pequeno núcleo museológico, ao lado norte as adro, comprovam a antiguidade desta freguesia. Ali se vêem o citado pé do primitivo altar ( a respectiva mesa está resguardada dentro da capela-mor a servir de credência), um capitel de pilastra, duas aduelas, com desenhos geométricos, das arquivoltas da porta principal, um sarcófago ou arca tumular, uma estela (no muro), ao lado de três sepulturas de uma necrópole medieval aparecidas quando se procedeu ao rebaixamento do adro para se proceder ao seu lajeamento, no dia 19-08-1997. Lá se vê, mais, uma base e pedaços truncados das colunas que suportavam uma galilé à frente da porta principal, duas antigas pias de baptismo, sendo uma facetada com doze panos e um marco de Casa de Bragança, encontrado no Monte da Corujeira, num plano superior ao da capela de S. Tomé.

            Esta freguesia conserva na encosta as ruínas de 14 moinhos hídricos, 3 no Rio Velho, 10 no do Sobrado e um no Rio de S. Tomé, na Quinta da Penha Longa. Ainda funcionam os moinhos do Diogo, do Lixo, do Domingos Mateus e o do Sobrado, no centro do lugar. E no alto da Buraca, sobranceiro ao Rio Velho, apareceram as ruínas de um moinho de vento com cerca de um metro de altura, mal conhecidas.

São indicativos da ruralidade e da economia agrícola do nosso povo.

Havia nesta terra algumas casas principais: da Penha Longa, do Rego, de Tarrio, do Diogo, do Sobrado e do Baptista. Destas as da Penha Longa, Rego, Diogo e Tarrio possuíam fontanários artísticos, com os respectivos tanques de rega, que perduram. Havia também várias fontes públicas ao lado dos caminhos: da Marquesa, (no Escairo), de Leirós, da cancela velha ou da igreja (junto do Cruzeiro), do Manhente (no Paço), no Souto do Sobrado, dos Paúlos (no Barreiro), das Matas ou do Tamanqueiro (junto do Rio de S. Tomé),  a Fonte Grande e a da Junqueira, ao lado, na origem do Rio do Sobrado, a fonte de Reibom (lugar da Fonte), fonte do Cerejeiro e fonte do tanque de Tarrio, (ao lado de Real), mais as fontes da Ribeira ou da Caganita e a do Farrapão ou do Matos, na Varziela. Algumas, que eram de chafurdo, desapareceram. A maioria continua a jorrar.

 

A igreja paroquial depois do anterior restauro e ampliação do seu corpo principal, em 1857, conforme vem descrita por Teotónio da Fonseca no seu “Barcelos Aquém Cávado”, perdurou até 04-08-1980. De 1980 a 1983 sofreu a maior e mais profunda alteração, transformando-se na igreja actual. Dela só permaneceu intacta a parte românica da Capela mor. Continua a ser o melhor testemunho deste povo através das suas gerações.

 

            A sul da igreja fica a Residência Paroquial. Estando devoluta e em ruína total, no ano de 1962, carecia de restauro. Sendo muito antiga, ainda apresenta na parede voltada para nascente a inscrição, que diz: “ NO ANNO DE 1588 Jacome D. Miranda fez esta ca 1588”.

            Em 24-05-1968 foi inaugurada a primeira fase do seu restauro e transformada em Salão Paroquial, que  ficou totalmente concluído em Março de 1984.

            As últimas obras paroquiais: sanitários novos, ao lado do Salão, lajeamento do adro e restauro do cruzeiro paroquial, com aproveitamento da sua base, do ano de 1870, foram solenemente inaugurados no dia 5 de Julho de 1988, por sua Exº Revma. o Senhor D. Carlos Pinheiro, Bispo Auxiliar de Braga, em dia de Visita Pastoral.

 

 No dia 8 de Janeiro de 1961, foi a inauguração oficial e solene  da  Escola  Primária

pelo Senhor Dr. Baltasar Rebelo de Sousa, Subsecretário do Estado da Educação Nacional, acompanhado de altas individualidades distritais e concelhias e de todo a povo da freguesia, como consta das Actas da Junta.

 

A partir da inauguração da Escola Primária, as Juntas de  Freguesia, desprovidas  de

 recursos, apenas procederam a pequenas arranjos das fontes públicas, melhorando as bicas, a uma sofrível manutenção dos caminhos, ao expediente e a pouco mais digno de nota.

            Após a abertura da Estrada Municipal, da Varziela ao Sobrado, em 1981, começou um tempo novo, mais aberto a modernidade .

            Em simultâneo com as obras de cariz religioso, na igreja e anexos, iniciaram-se outras de carácter local:

1)  - Em 30-06-1992 é ampliado e renovado a cemitério da paróquia;

2)  - De seguida, em 03-06-1994, foi adquirido o terreno, em frente a igreja e do cemitério, destinado a aparcamento e recinto público de apoio  aos mesmos.

3)  - São alargados e conservados os caminhos de acesso ao monte. E , na fonte do Padre João, no início de Rio Velho, foi construído um grande reservatório de água para o  combate dos fogos florestais.

4)  - Em 1998 termina, junto das Alminhas de Tarrio, o alargamento e pavimentação em cubos, da primeira fase do Caminho Municipal que vai ligar o Lugar do Cruzeiro à Varziela, pela parte baixa da Freguesia:

5)  - E continua a pavimentação, a cubos ou alcatrão, dos caminhos de acesso aos restantes lugares, destacando-se o alargamento e pavimentação, em 30-06-2000, do caminho do Morfeito ao Barreiro e Bemposta, sobranceiro à Escola, que liga os lugares altos da freguesia, onde de encontram as azenhas e os melhores miradouros.

6)  - Foram melhorados o recinto da Escola Primária e acrescentados novos anexos. (30-01-2000)

7)  - Em 30-06-1999 é estudado e Brasão da  freguesia para a sua melhor identificação.

8)  - Finalmente a 16-09-2000 teve início a construção da nova Sede da Junta, que antes não existia.

 

 

 

 


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